Tuesday, December 20, 2016

CVJHP ARCHIVAL RESEARCH UPDATE DEC 2016


Thanks to financial assistance provided by the Cape Verde Jewish Heritage Project Inc. and the US Embassy in Praia, during the past year, a dedicated staff at the The National Archives of Cape Verde (ANCV), accelerated the organization and classification of documents pertaining to the islands of Boa Vista and Santo Antão, where the Jewish community was most pronounced. So CVJHP historian Ângela Sofia Benoliel Coutinho was finally able to access valuable documentation pertaining to the presence of the Moroccan and Gibraltarian Jews, heretofore unavailable to researchers.

CVJHP Historian
The NationalArchives of Cape Verde (ANCV), founded in 1988, is the repository of documentation from all of the towns and islands in Cape Verde. Given financial constraints, the ANCV had not previously been able to organize and classify the documents pertaining to these two islands. On her return trip to ANCV headquarters in Praia in July and August, Ângela was able to consult the rich, original documentation pertaining to the Jewish merchants in these two islands. The legal proceedings in the Court of Ribeira Grande in Santo Antão yielded the most valuable information. Ângela identified approximately 154 cases showing that the Jewish community comprised about 50 individuals in the second half of the 19th century. An analysis of this original documentation is likely to shed light on the nature and extent of the Jewish community’s commercial activities and the impact they had on the economy of the archipelago. It will also indicate the commercial relationships they forged among each other and with Cape Verdeans or Portuguese Catholics, as well as with colonial authorities.
Ribeira Grande, Santo Antão
The documentation may also provide clues about the family, social and cultural life of the members of this community and their linkages with Jewish merchants from Morocco and Gibraltar in other Portuguese territories such as Lisbon, the Algarve, the Azores, Angola, Mozambique, São Tome e Principe and Brazil. 

It’s not surprising that this community of Jewish merchants was drawn to monoculture for export given that Cape Verde was an agricultural island with few inhabitants who had limited purchasing power. For example, in the island of Santo Antão, the most profitable export was coffee, the price of which rose in the international market during the second half of the 19th century. Documents suggest that the merchants engaged in business with Jewish coffee exporters in other agricultural islands such as Santiago, Fogo, and São Nicolau, and with those who lived in São Vicente, Santiago, and Brava, islands that had international ports to facilitate exports. Since many of these Cape Verdean-based traders traveled to Lisbon approximately once a year, it is probable that a commercial network existed among Moroccan and Gibraltarian Jews in all of the Portuguese speaking African territories and in the Atlantic. It is something to explore as Ângela traces the outlines of a forthcoming book about the Jewish presence in Cape Verde.

--Ângela Sofia Benoliel Coutinho, Dezembro 2016

Saturday, February 6, 2016

Noticias da Nossa Historiadora, Ângela Sofia Benoliel Coutinho



JUDEUS E CABO-VERDIANOS DE ORIGEM JUDIA MARROQUINA E DE GIBRALTAR NA IMPRENSA CABO-VERDIANA DO SÉCULO XX  

            Pela análise da imprensa periódica do século XX, ainda a decorrer, é possível constatar a progressiva integração na sociedade cabo-verdiana das famílias de origem marroquina e de Gibraltar que se fixaram no arquipélago. Desde logo, pela maior diversidade da actividade económica, e, na 2ª geração, já de portugueses nascidos em Cabo Verde, pela assunção de diversos cargos em comissões, juntas, e organismos diversos, cujo real peso na sociedade das ilhas importará apreender. Alguns chegaram a assumir o cargo de administradores de concelho e Bento Levy foi o primeiro a integrar o Conselho de Governo, durante a Iª República. A nível da função pública colonial, vedada aos estrangeiros, na 2ª geração, dos nascidos em Cabo Verde, há poucos casos, tratando-se sobretudo de professores primários e funcionários dos Serviços Aduaneiros e dos Correios. 
 
            O “Boletim Oficial da Província de Cabo Verde,” cuja consulta vai na década de 30 do século XX, é particularmente rico em dados, que, dada a sua profusão, importará organizar numa base de dados, de molde a facilitar a sua consulta e análise. Foram identificados 86 indivíduos, cujos nomes seguem na lista abaixo, e elementos relativos à vida económica, e a diversos outros aspectos.

ASSIM, FORAM INDENTIFICADOS DADOS SOBRE: 


José Benholiel, Bento Levy, Benjamim Alves, Marcos Cagy, David Ben’Oliel, Domingos Seruya, J.A. Levy, Veríssimo Wahnon, Izaac Athias, Moyses Levy, Leão Benroz, Isaac Pinto, Leopoldina Hidalgo Carrera Athias, Salomão Ben David, Abraham Julião Brigham, Isaac Wahnon, Jacob Wahnon, Isaac Augusto Ezaguy, José Monteiro Levy, Jayme Monteiro Levy, Álvaro Monteiro Levy, Salvador Levy, D. Justa Azulay Silva, Theodorico Seruya, Theodoro d’Oliveira Almada (?), Moses Zagury, Fernando Wahnon, Isaac Ben’Oliel, Júlio Bento d’Oliveira, D. Rachel Levy, Raphael Moysés de Oliveira, Rodolpho Benroz, Raphael Anahory, Salomão A. Ben’Oliel, Augusto Ben David, Maria da Conceição Pinto Wahnon, Júlia Pereira da Silva Azulay, Maria Benholiel Lopes da Silva, Carlos Bento d’Oliveira, José Julião Brigham, Salomão Joseph Abithbol, Elysa Levy Bentubo Santos, David Jacob Cohen, Manoel Azulay, Salomão Tavares Benchimol, Daniel Wahnon, Naturino de Mello Alves, Leão Benholiel, Wenceslau Ramos Levy, Octavino de Mello Alves, Daniel D. Cohen, Jayme Wahnon, José Anahory, Maria Faria Anahory, Mery Benholiel Levy, Simy Benholiel de Carvalho, Rachel Benholiel, Simão Benholiel, Maria do Carmo Mosso Benholiel, Júlio Benahim Lima, Marcos Julião Brigham, Camila Wahnon Brigham, Ernesto Lima Wahnon, Emília Benchimol Lopes, Fortunato Monteiro Levy, Afonso Benrós, Filomena Pereira Azulay, Mário Avelino Melo Alves, Adelaide Benrós Sousa, António Benrós Sousa, Afonso Benrós Sousa, Artur Levy Gomes, Rafael Ramos Levy, Maria da Piedade Leite Santos Silva Wahnon, Clarisse Wahnon, Jorge Wahnon Jr., Emílio Firmino Benrós, Belarmino Firmino Benrós, Fulgêncio Anahory Silva, Jacob Wahnon Jr., António Levy Bentubo, Dêa Ben David, Alexandre Benoliel de Carvalho, José Andrade Brigham, Maria da Luz Benahim Leite, Elizeu David Cohen.





               Na imprensa privada cabo-verdiana do século XX, encontram-se também muitos dados sobre diversos membros das famílias Levy, Alves, Wahnon, Athias, Benoliel, Benahim, Esaguy, Benrós, Anahory, Brigham, Levy Bentubo, Cohen, Serruya, Abitbol, Azagury, Ben David, Azulay e Pinto. No século XX, radicaram-se algumas famílias judias de origem asquenaze, da Europa de Leste, sendo as mais conhecidas a Kahn e Schofield. Contudo, terá havido outras famílias a viver durante algum tempo no arquipélago durante a Segunda Guerra Mundial. Estas famílias conviviam com as de origem marroquina e de Gibraltar.


            Na imprensa privada havia normalmente uma coluna social, onde eram noticiados os nascimentos, aniversários, casamentos, pedidos de casamento, doenças, falecimentos, festas várias, incluindo bailes de Carnaval, “reuniões elegantes,” banquetes, bailes de fim d’ano e as diversas viagens que os membros destas famílias faziam entre as ilhas ou para Portugal, atestando assim a sua ascenção à elite socio-económica de Cabo Verde. Nas 2ªs e 3ªs gerações, pela análise dos apelidos compostos, vê-se a associação por casamento com famílias de origem portuguesa, como por exemplo, Monteiro Levy, Barbosa Levy, Brigham Neves, Brigham Gomes, Benoliel Lopes da Silva, Benoliel de Carvalho, Anahory Silva, Cohen Leite, Cohen Lopes da Silva, Benahim Leite e outras.

            Há também dados de outra ordem, nomeadamente, os resultados escolares das crianças e jovens destas famílias, as nomeações para cargos públicos, os cargos assumidos na sociedade civil, tanto nas Associações Comerciais e Agrícolas do arquipélago, como em associações recreativas e desportivas ou em comissões várias, anúncios de palestras ou ainda, subscrições de cartas dirigidas às autoridades e donativos a pobres ou em consequência de catástrofes. Há também anúncios das casas comerciais e referências às actividades económicas e litígios. Há diversas referências à exportação de café, mas também a empresas de navegação, sendo que as casas comerciais vendiam uma grande diversidade de produtos.

            Desde a geração dos filhos, alguns ascendem ao cargo de administradores de concelho, ainda que por vezes substitutos, outros a presidentes de câmara municipal e até a vogais do Conselho do Governo da então província ultramarina. Nota-se que entre os netos, alguns têm acesso ao ensino superior na então metrópole, e Bento Benoliel Levy é eleito deputado por Cabo Verde na Assembleia da República Portuguesa. 

            Nos jornais “O Arquipélago” e “Cabo Verde, Boletim de Propaganda e Informação,” há dezenas de artigos de autoria de Bento Benoliel Levy e de Orlando Barbosa Levy, mas também poemas de Terêncio Anahory Silva e alguns artigos de Francisco Benoliel Lopes da Silva, Aníbal Cohen Lopes da Silva e Júlio Bento de Oliveira (da família Abitbol).   

- Ângela Sofia Benoliel Coutinho, 6 de Fevereiro 2016


Sunday, November 29, 2015

CVJHP HISTORIAN ANGELA SOFIA BENOLIEL COUTINHO REFLECTS ON GIBRALTAR & MOROCCO


Nota de Carol/ Note from Carol:


Ângela Sofia Benoliel Coutinho, Cape Verdean historian who resides in Portugal, is under contract to CVJHP Inc. to pursue archival and oral research on the presence and legacy of the Jews of Cape Verde -- those who immigrated to Cape Verde in the XIX century, mostly from Morocco and Gibraltar, when Cape Verde was a Portuguese colony. As you know from previous posts, she has been working in the archives in Portugal and Cape Verde, but in mid-2015, CVJHP sent her to Morocco and Gibraltar, the birthplaces of many of the original immigrants, to pursue research in archives and libraries, as well as to meet with academics and archivists. I accompanied her on both trips to facilitate contacts and expedite our work, which, oxala, will culminate in a book in the not-too-distant future. Here, in Portuguese, are her personal reflections:

Ligação entre Gibraltar/Marrocos e Cabo Verde

Aquando da estadia em Gibraltar, foi muito boa a recepção por parte dos membros da Comunidade, e foi possível obter dados sobre as famílias oriundas do estreito, tanto nos registos da Comunidade Judaica como nos National Archives, que contudo, terão muito mais documentação disponível para consulta a partir do Verão de 2016. Foi também possível obter bibliografia especializada sobre a comunidade judaica de Gibraltar, à qual ainda não tínhamos tido acesso. Através da análise destes novos elementos, revelou-se um relacionamento intenso e multi-secular entre Gibraltar e Portugal, sobretudo com Lisboa e com o Algarve. Assim, algumas das famílias que estamos a estudar, tendo ligações a Gibraltar, instalaram-se primeiro em Lisboa, e só depois em Cabo Verde. Descobrimos também que em Gibraltar existiam relações comerciais particularmente intensas com Tétuan, em Marrocos, e com Alger e Oran, o que poderá explicar a presença em Cabo Verde de indivíduos nascidos nestas duas cidades argelinas.  

Dra. Benoliel Coutinho w/Jewish archivist, Mesod Belilo, in Gibraltar
Em Marrocos, Rabat e Casablanca, foi surpreendente e profundamente gratificante, o interesse demonstrado por especialistas, artistas, jornalistas, dirigentes da Comunidade Judaica, assim como o acolhimento por parte do Sr. Ministre Chargé des Marocains Résidant à l’Étranger et des Affaires de la Migration. Foram especialmente tocantes a atenção e a disponibilidade por parte de M. André Azoulay, Conselheiro de S. Magestade, o rei Mohammed VI. A extensa bibliografia existente sobre a História e a Cultura dos Judeus Marroquinos, pela sua qualidade e diversidade, irá contribuir muito para enriquecer o nosso estudo. Conversando com a directora do Museu do Judaísmo em Casablanca, descobrimos que as famílias judias marroquinas que se instalaram em Cabo Verde no século XIX têm diversas proveniências históricas: se a maioria tem raízes na Península Ibérica, tendo chegado a Marrocos a partir do século XV, outras são de origem berbere, com presença milenar no Norte de África, e outras, ainda, são oriundas do Médio Oriente, com uma presença multi-secular em Marrocos.    
H.E. Andre Azoulay & Dra. Benoliel Coutinho, Palais Royal, Rabat
Por fim, numa nota pessoal, direi que foi emocionante para mim pisar pela primeira vez a cidade de Rabat, de onde são oriundos os meus antepassados.  

--Ângela Sofia Benoliel Coutinho, 27 de Setembro de 2015

This post was also published in English on the World Monuments Fund site (See link below). CVJHP thanks the World Monuments Fund for the grant that underwrites costs of Ângela's archival research

https://www.wmf.org/blog/morocco-and-gibraltar-keys-understanding-cape-verde%E2%80%99s-jewish-heritage