Monday, August 7, 2017

JEWISH SITES CLASSIFIED AS NATIONAL HISTORIC CULTURAL PATRIMONY


Dear Descendants and friends of CVJHP,

The Cape Verde Jewish Heritage Project is very excited to inform you that the government of Cabo Verde on June 29th 2017 classified the Jewish cemeteries and other places of Jewish memory as “National Historical Patrimony.” This is a major milestone and an action that CVJHP has been advocating for many years. So, we are delighted that the central government has taken this important step. This legal status will ensure that the vestiges of your ancestors’ heritage such as the Jewish cemeteries, residences, commercial buildings and other places of memory will be legally protected and maintained. It also signals to the world that Cabo Verde values the contributions made by the many Moroccan and Gibraltarian Jews, who immigrated to Cape Verde in the 19th century, to Cape Verdean history and culture. This classification at the national level will also place Cabo Verde on the map of the global Jewish Diaspora. CVJHP will continue to work hand-in-hand with the government based on our memorandum of understanding (Protocolo) signed in September 2016, to identify, restore, preserve and maintain these important monuments to Jewish heritage.

Here’s a link to an article by Expresso das Ilhas about the announcement.


And one more by the Times of Israel:

http://www.timesofisrael.com/cape-verde-lists-jewish-cemeteries-as-heritage-sites/
  
We’re also happy to announce that our historian Angela Sofia Benoliel Coutinho has begun to synthesize data from archival research conducted in Portugal, London, Gibraltar, Morocco and of course Cape Verde, and is working on a draft of a book about the Jewish presence in Cabo Verde, focusing on the 19th and 20th century immigration of Jews primarily from Morocco and Gibraltar – many of your ancestors! The book will be published first in Portuguese and then translated into English.

On a sad note, we lament the death of our dear Isaac Anahory who passed away in April 2017. Please see our tribute to him at Facebook.com/CVJHP. Another elderly descendent, Jacinto Benros, who lives in Central Falls Rhode Island, is recovering from a stroke. He always loved sharing his memories of the Benros clan and many other families from like Cohen, Brigham, Pinto and Benoliel, with me. Let’s all pray that he will have a speedy and full recovery.

We continue to work on Cemetery restoration which has been stalled in Boa Vista due to technical problems. However we will persevere in all 3 islands: Sao Tiago, Santo Antão and Boa Vista. We will also not forget the remnants of the Jewish heritage (mostly tombstones), particularly from the 19th century, in São Nicolão and Brava.

If you have other news to share please write to us at this email and visit and like our Facebook Page. Sofia De Oliveira Lima is our devoted representative in Praia. Please spread the word of our work far and wide among other descendants around the world and in Cabo Verde about your ancestors and our work to preserve their legacy.


Versão em Portugues:

A Cape Verde Jewish Heritage Project tem muito orgulho em informar a todos os descendentes e amigos da CVJHP que o Governo de Cabo Verde classificou o acervo patrimonial da herança judaica em Cabo Verde como Património Histórico e Cultural Nacional.
É uma decisão muito importante para a República de Cabo Verde e para a CVJHP, que, com conjugação de energias contribuirão ainda mais para a valorização desse acervo e para a sua projeção internacional.
A CVJHP tem encorajado o Governo Central no sentido de tomar essa medida ao longo dos últimos anos; portanto estamos muito satisfeitos por termos chegado e este dia.

Esta estatuto legal garantirá proteção legal e manutenção dos vestígios da herança dos vossos antepassados tais como os cemitérios, as residências, os edifícios comerciais e outros lugares de memória. Assinala também ao mundo que Cabo Verde valoriza as contribuições feitas pelos muitos Judeus do Gibraltar e do Marrocos que imigraram para Cabo Verde durante o século 19, tanto quanto valoriza a história e a cultura de Cabo Verde.  Ademais, essa classificação a nível nacional coloca Cabo Verde no mapa global da Diáspora Judaica. A CVJHP continuará a trabalhar de mão em mão com o governo de Cabo Verde com base no memorando de entendimento (Protocolo) assinado em 2016 no sentido de identificar, restaurar, preservar e manter esses monumentos tão importantes da herança Judaica. Segue-se um “link” para um artigo sobre o anúncio publicado no Expresso das Ilhas sobre o anúncio.


Mais um pelo Times of Israel:

http://www.timesofisrael.com/cape-verde-lists-jewish-cemeteries-as-heritage-sites/

Apraz-nos também anunciar que a nossa Historiadora Ângela Sofia Benoliel Coutinho começou a sintetizar dados que ela extraiu dos arquivos durante pesquizas efetuadas em Portugal, Londres, Gibraltar, Marrocos e, obviamente, Cabo Verde, e iniciou já o esboço de um livro sobre a presença Judaica em Cabo Verde, com enfoque principalmente na imigração durante os séculos 19 e 20 de Judeus do Marrocos e de Gibraltar para Cabo Verde, muitos deles vossos antepassados! O livro será publicado em Português, em primeira instância e, subsequentemente, será traduzido para Inglês.

Num aparte de imensa tristeza, lamentamos aqui anunciar o falecimento do nosso querido Isaac Anahory em Abril de 2017. Favor ver o nosso tributo ao Isaac no Facebook.com/CVJHP. Outro descendente de idade já avançada, Jacinto Benrós, residente de Central Falls, Rhode Island, encontra-se recuperando de um enfarte cardíaco. Ele deleitava-se sempre em compartilhar comigo as memórias do “clan” dos Benrós e de muitas outras famílias como sejam os Cohen, Brigham, Pinto e Benoliel. Rezemos para que ele tenha uma recuperação rápida e completa.

Continuamos a trabalhar na restauração do cemitério da Boa Vista que ficou entravada por questões técnicas. Não obstante, continuaremos os nossos esforços em todas as três ilhas Santiago, Santo Antão e Boa Vista. Tampouco nos esqueceremos do que resta da herança Judaica (na sua maioria de pedras de cabeceira de túmulos, particularmente do século XIX, Em São Nicolau e Brava.)

Para os leitores que tenham novidades sobre aspetos da herança Judaica em Cabo Verde queiram nos contactar através deste email. Podem também visitar e indicar o “like” na nossa Página do Facebook. Sofia de Oliveira Lima é a nossa devota representante na Cidade da Praia. E façam-nos o favor de divulgar amplamente entre outros descendentes pelo mundo fora e em Cabo Verde informações sobre os vossos antepassados e sobre o nosso trabalho de preservar o legado deles.

Mantenhas/Com Gratidão,
Carol Castiel, Pres. CVJHP
John Wahnon, VP, CVJHP 
Sofia de Oliveira Lima, CVJHP representante, Praia

Monday, April 24, 2017

PREVIEW OF BOOK CHAPTER ON JEWS OF CABO VERDE!


CVJHP Historian,  Ângela Sofia Benoliel Coutinho, prepared the following text in French for Counselor to H.M. King Mohammed VI and honorary Board member H.E. Andre Azoulay, a proud native of Mogador (Essaouira), to demonstrate the impact that Jews of that city had in Cabo Verde.  Ângela is currently writing the first draft of a book on these 19th century Jews and their overall role and contributions in colonial Cabo Verde.

JEWISH MERCHANTS OF MOGADOR IN CABO VERDE 

          Quoique beaucoup moins nombreux que ceux originaires de Tanger, les commerçants et entrepreneurs juifs nés à Mogador qui ont vécu ou se sont installés dans l’archipel du Cap Vert pendant la deuxième moitié du XIXème siècle, ont eu, dans certains cas, une forte influence dans ce processus migratoire, et dans d’autres, une présence qui a marqué la société des îles.
          Ainsi, parmi les commerçants juifs du Maroc et de Gibraltar qui font l’objet de notre étude, Moses Zagury fut le seul grand investisseur dans l’archipel, ayant obtenu en 1875 l’octroi de terrains pour l’installation de dépôts de charbon dans l’île de S. Vicente. Avec le surgissement de la navigation à vapeur, cette île est devenu l’objet d’investissement de compagnies charbonnières britanniques, et à la fin du XIXème siècle elle était devenue la principale source de revenus pour la colonie. Son Porto Grande est aussi devenu la plus importante coaling station de l’Empire Britannique dans le mid-Atlantic, et au début du XXème siècle c’était le 4ème port avec le plus de mouvement dans le monde. Ayant vécu à Lisbonne et en Grande-Bretagne, Moses Zagury a négocié l’utilisation de ces terrains avec des compagnies de charbon britanniques. Il a gardé un long rapport avec l’archipel du Cap Vert, ayant proposé plusieurs affaires aux autorités pendant des décennies, et quelques membres de sa famille ont vécu dans les îles de Santo Antão et S. Vicente. D’autres hommes d’affaires, comme ce fut le cas de Marcos Auday, né à Tanger, s’y sont installés grâce à ses investissements. Moses Zagury avait aussi des affaires en Angola et au Mozambique, d’autres colonies portugaises en Afrique.
          En effet, nous avons remarqué que ceux nés à Mogador se trouvent parmi les plus mobiles de ce groupe. C’est le cas de Isaac Zaffrany, que les autorités portugaises dans l’archipel ont noté comme ayant vécu aux Azores, avec des rapports au Mozambique. Les frères Anahory, nés à Lisbonne d’une mère de Mogador et d’un père de Gibraltar ont été des représentants consulaires de plusieurs pays européens dans les deux villes de l’archipel, Praia et Mindelo, où ils ont exercé des activités commerciales.

"Rua dos Judeus" Ponta do Sol, Santo Antão
Parmi les familles qui se sont installées dans l’archipel et y ont laissé des descendants que nous arrivons à identifier, il y a la famille Brigham. Ayres Julião Brigham ou Wayes Ohayon s’est installé dans la petite localité portuaire de Ponta do Sol, île de Santo Antão, où l’on se dédiait à l’exportation de produits coloniaux, étant nommé comme le membre fondateur de la communauté juive de cette île, qui a eu environ 50 personnes au XIXème siècle, et aussi comme l’un des fondateurs de la localité de Ponta do Sol elle-même. Il est également mentionné par quelques descendants comme ayant été l’un des pilliers de la vie religieuse de cette communauté, qui n’a pas eu une synagogue, et qui était constituée surtout par les familles Pinto, Cohen, Benrós, Levy Bentubo, Auday, Benahim et Wahnon. Il y a des registres de la présence de Ayres Julião Brigham à la sinagogue de Lisbonne, où il allait régulièrement, afin de rejoindre sa ville natale. Son frère, Joseph de Abraham Brigham, né aussi à Mogador, nous a laissé l’un des documents les plus riches concernant la vie de la communauté juive dans l’île de Santo Antão, à savoir, son testament, daté de 1907, l’année de son décès. 
          La famille Brigham a aussi investi dans la production d’eau minérale enbouteillée, dans un territoire où les initiatives dans le domaine industriel étaient très rares. L’un des membres de cette famille, Abraham Julião Brigham, déjà né au Cap Vert, fut pendant longtemps l’un des plus grands contribuables de la colonie, dans la région nord.


Suzette Cohen with photo of ancestors
Peu après l’arrivée de la famille Brigham, David Jacob Cohen, lui aussi né à Mogador, s’est installé à Ponta do Sol, ayant laissé son épouse à Lisbonne. Il a laissé des descendants qui sont devenus des commerçants réputés dans l’île de Santo Antão, et plus, tard, à S. Vicente. Il est curieux de constater que l’un des membres de la famille Cohen, Salomão Moysés Cohen, né au Cap Vert, a fondé le clan Cohen de l’Amazonie, au Brésil, vers 1890.
          Celle qui a probablement été la famille d’origine juive marocaine la plus influente au Cap Vert pendant le XXème siècle colonial, c’est-à-dire, jusqu’en 1975, descend de Fortunato Levy, né à Mogador ou à Rabat, selon la documentation officielle portugaise. Son fils Bento Levy est né au sud du Portugal, en Algarve, et a été l’un des entrepreneurs les plus dynamiques de son époque. Il a été nommé à plusieurs reprises pour des postes de représentation dans des organismes d’Etat de la colonie, ayant été, avec ses 4 fils, tous nés au Cap Vert, parmi les plus grands contribuables de la colonie, de la fin du XIXème siècle jusqu’au milieu du XXème siècle. La famille Levy est aussi devenue grande propriétaire dans l’île de Santiago, ayant des investissements dans d’autres îles.

          Last but not the least, le commerçant né à Mogador Arão Ben-David s’est installé dans l’île Brava, où il a créé la société “Ben David & Bendaham”, étant son associé originaire de Gilbraltar. Parmi ses descendants, le footballeur capverdien Ben David est reconnu comme ayant été le meilleur joueur de football du Portugal et des territoires qui intégraient son empire, avant Eusébio. 

Copyright 2017  Cape Verde Jewish Heritage Project, Inc.

Tuesday, December 20, 2016

CVJHP ARCHIVAL RESEARCH UPDATE DEC 2016


Thanks to financial assistance provided by the Cape Verde Jewish Heritage Project Inc. and the US Embassy in Praia, during the past year, a dedicated staff at the The National Archives of Cape Verde (ANCV), accelerated the organization and classification of documents pertaining to the islands of Boa Vista and Santo Antão, where the Jewish community was most pronounced. So CVJHP historian Ângela Sofia Benoliel Coutinho was finally able to access valuable documentation pertaining to the presence of the Moroccan and Gibraltarian Jews, heretofore unavailable to researchers.

CVJHP Historian
The NationalArchives of Cape Verde (ANCV), founded in 1988, is the repository of documentation from all of the towns and islands in Cape Verde. Given financial constraints, the ANCV had not previously been able to organize and classify the documents pertaining to these two islands. On her return trip to ANCV headquarters in Praia in July and August, Ângela was able to consult the rich, original documentation pertaining to the Jewish merchants in these two islands. The legal proceedings in the Court of Ribeira Grande in Santo Antão yielded the most valuable information. Ângela identified approximately 154 cases showing that the Jewish community comprised about 50 individuals in the second half of the 19th century. An analysis of this original documentation is likely to shed light on the nature and extent of the Jewish community’s commercial activities and the impact they had on the economy of the archipelago. It will also indicate the commercial relationships they forged among each other and with Cape Verdeans or Portuguese Catholics, as well as with colonial authorities.
Ribeira Grande, Santo Antão
The documentation may also provide clues about the family, social and cultural life of the members of this community and their linkages with Jewish merchants from Morocco and Gibraltar in other Portuguese territories such as Lisbon, the Algarve, the Azores, Angola, Mozambique, São Tome e Principe and Brazil. 

It’s not surprising that this community of Jewish merchants was drawn to monoculture for export given that Cape Verde was an agricultural island with few inhabitants who had limited purchasing power. For example, in the island of Santo Antão, the most profitable export was coffee, the price of which rose in the international market during the second half of the 19th century. Documents suggest that the merchants engaged in business with Jewish coffee exporters in other agricultural islands such as Santiago, Fogo, and São Nicolau, and with those who lived in São Vicente, Santiago, and Brava, islands that had international ports to facilitate exports. Since many of these Cape Verdean-based traders traveled to Lisbon approximately once a year, it is probable that a commercial network existed among Moroccan and Gibraltarian Jews in all of the Portuguese speaking African territories and in the Atlantic. It is something to explore as Ângela traces the outlines of a forthcoming book about the Jewish presence in Cape Verde.

--Ângela Sofia Benoliel Coutinho, Dezembro 2016

Saturday, February 6, 2016

Noticias da Nossa Historiadora, Ângela Sofia Benoliel Coutinho



JUDEUS E CABO-VERDIANOS DE ORIGEM JUDIA MARROQUINA E DE GIBRALTAR NA IMPRENSA CABO-VERDIANA DO SÉCULO XX  

            Pela análise da imprensa periódica do século XX, ainda a decorrer, é possível constatar a progressiva integração na sociedade cabo-verdiana das famílias de origem marroquina e de Gibraltar que se fixaram no arquipélago. Desde logo, pela maior diversidade da actividade económica, e, na 2ª geração, já de portugueses nascidos em Cabo Verde, pela assunção de diversos cargos em comissões, juntas, e organismos diversos, cujo real peso na sociedade das ilhas importará apreender. Alguns chegaram a assumir o cargo de administradores de concelho e Bento Levy foi o primeiro a integrar o Conselho de Governo, durante a Iª República. A nível da função pública colonial, vedada aos estrangeiros, na 2ª geração, dos nascidos em Cabo Verde, há poucos casos, tratando-se sobretudo de professores primários e funcionários dos Serviços Aduaneiros e dos Correios. 
 
            O “Boletim Oficial da Província de Cabo Verde,” cuja consulta vai na década de 30 do século XX, é particularmente rico em dados, que, dada a sua profusão, importará organizar numa base de dados, de molde a facilitar a sua consulta e análise. Foram identificados 86 indivíduos, cujos nomes seguem na lista abaixo, e elementos relativos à vida económica, e a diversos outros aspectos.

ASSIM, FORAM INDENTIFICADOS DADOS SOBRE: 


José Benholiel, Bento Levy, Benjamim Alves, Marcos Cagy, David Ben’Oliel, Domingos Seruya, J.A. Levy, Veríssimo Wahnon, Izaac Athias, Moyses Levy, Leão Benroz, Isaac Pinto, Leopoldina Hidalgo Carrera Athias, Salomão Ben David, Abraham Julião Brigham, Isaac Wahnon, Jacob Wahnon, Isaac Augusto Ezaguy, José Monteiro Levy, Jayme Monteiro Levy, Álvaro Monteiro Levy, Salvador Levy, D. Justa Azulay Silva, Theodorico Seruya, Theodoro d’Oliveira Almada (?), Moses Zagury, Fernando Wahnon, Isaac Ben’Oliel, Júlio Bento d’Oliveira, D. Rachel Levy, Raphael Moysés de Oliveira, Rodolpho Benroz, Raphael Anahory, Salomão A. Ben’Oliel, Augusto Ben David, Maria da Conceição Pinto Wahnon, Júlia Pereira da Silva Azulay, Maria Benholiel Lopes da Silva, Carlos Bento d’Oliveira, José Julião Brigham, Salomão Joseph Abithbol, Elysa Levy Bentubo Santos, David Jacob Cohen, Manoel Azulay, Salomão Tavares Benchimol, Daniel Wahnon, Naturino de Mello Alves, Leão Benholiel, Wenceslau Ramos Levy, Octavino de Mello Alves, Daniel D. Cohen, Jayme Wahnon, José Anahory, Maria Faria Anahory, Mery Benholiel Levy, Simy Benholiel de Carvalho, Rachel Benholiel, Simão Benholiel, Maria do Carmo Mosso Benholiel, Júlio Benahim Lima, Marcos Julião Brigham, Camila Wahnon Brigham, Ernesto Lima Wahnon, Emília Benchimol Lopes, Fortunato Monteiro Levy, Afonso Benrós, Filomena Pereira Azulay, Mário Avelino Melo Alves, Adelaide Benrós Sousa, António Benrós Sousa, Afonso Benrós Sousa, Artur Levy Gomes, Rafael Ramos Levy, Maria da Piedade Leite Santos Silva Wahnon, Clarisse Wahnon, Jorge Wahnon Jr., Emílio Firmino Benrós, Belarmino Firmino Benrós, Fulgêncio Anahory Silva, Jacob Wahnon Jr., António Levy Bentubo, Dêa Ben David, Alexandre Benoliel de Carvalho, José Andrade Brigham, Maria da Luz Benahim Leite, Elizeu David Cohen.





               Na imprensa privada cabo-verdiana do século XX, encontram-se também muitos dados sobre diversos membros das famílias Levy, Alves, Wahnon, Athias, Benoliel, Benahim, Esaguy, Benrós, Anahory, Brigham, Levy Bentubo, Cohen, Serruya, Abitbol, Azagury, Ben David, Azulay e Pinto. No século XX, radicaram-se algumas famílias judias de origem asquenaze, da Europa de Leste, sendo as mais conhecidas a Kahn e Schofield. Contudo, terá havido outras famílias a viver durante algum tempo no arquipélago durante a Segunda Guerra Mundial. Estas famílias conviviam com as de origem marroquina e de Gibraltar.


            Na imprensa privada havia normalmente uma coluna social, onde eram noticiados os nascimentos, aniversários, casamentos, pedidos de casamento, doenças, falecimentos, festas várias, incluindo bailes de Carnaval, “reuniões elegantes,” banquetes, bailes de fim d’ano e as diversas viagens que os membros destas famílias faziam entre as ilhas ou para Portugal, atestando assim a sua ascenção à elite socio-económica de Cabo Verde. Nas 2ªs e 3ªs gerações, pela análise dos apelidos compostos, vê-se a associação por casamento com famílias de origem portuguesa, como por exemplo, Monteiro Levy, Barbosa Levy, Brigham Neves, Brigham Gomes, Benoliel Lopes da Silva, Benoliel de Carvalho, Anahory Silva, Cohen Leite, Cohen Lopes da Silva, Benahim Leite e outras.

            Há também dados de outra ordem, nomeadamente, os resultados escolares das crianças e jovens destas famílias, as nomeações para cargos públicos, os cargos assumidos na sociedade civil, tanto nas Associações Comerciais e Agrícolas do arquipélago, como em associações recreativas e desportivas ou em comissões várias, anúncios de palestras ou ainda, subscrições de cartas dirigidas às autoridades e donativos a pobres ou em consequência de catástrofes. Há também anúncios das casas comerciais e referências às actividades económicas e litígios. Há diversas referências à exportação de café, mas também a empresas de navegação, sendo que as casas comerciais vendiam uma grande diversidade de produtos.

            Desde a geração dos filhos, alguns ascendem ao cargo de administradores de concelho, ainda que por vezes substitutos, outros a presidentes de câmara municipal e até a vogais do Conselho do Governo da então província ultramarina. Nota-se que entre os netos, alguns têm acesso ao ensino superior na então metrópole, e Bento Benoliel Levy é eleito deputado por Cabo Verde na Assembleia da República Portuguesa. 

            Nos jornais “O Arquipélago” e “Cabo Verde, Boletim de Propaganda e Informação,” há dezenas de artigos de autoria de Bento Benoliel Levy e de Orlando Barbosa Levy, mas também poemas de Terêncio Anahory Silva e alguns artigos de Francisco Benoliel Lopes da Silva, Aníbal Cohen Lopes da Silva e Júlio Bento de Oliveira (da família Abitbol).   

- Ângela Sofia Benoliel Coutinho, 6 de Fevereiro 2016